Prestes a conquistar seu primeiro título à frente do Cruzeiro, o presidente Gilvan de Pinho Tavares recebeu a TV Alterosa com exclusividade, em um bate-papo de quase uma hora. À vontade, o mandatário cruzeirense falou sobre a importância do sócio do futebol, o acordo com a Minas Arena, a permanência de Marcelo Oliveira, as reclamações quanto ao fornecedor de material esportivo, um novo patrocínio máster que pode surgir e se tentaria a contratação do ídolo Alex para 2014. Abaixo, os principais trechos da entrevista.
Se a punição de perda de mando for mantida depois do julgamento no Pleno do STJD, a pena será mesmo cumprida em Varginha?
Vamos agora estudar com a CBF para que não possa haver nenhum engano. Se resolvermos jogar no Rio, podemos usar o Maracanã? Ou pensar em jogar lá em Fortaleza, lá em Recife, ou jogar lá em Uberlândia que é um estádio também que comporta 52 mil pessoas? Poderia perfeitamente ser lá. Eu fico sem coragem de dar uma definição por Varginha, porque pode ser um jogo de tamanha importância que o estádio não vai comportar o número de torcedores que vai comparecer lá. É preciso a gente pensar nisso para que a CBF tome a decisão.
O Cruzeiro alcançou a marca de 40 mil sócios. Qual a importância desse quadro de associados para o clube? Onde o dinheiro é aplicado?
Estamos conseguindo pagar os salários, pagar direitos econômicos dos jogadores de um plantel tão numeroso e de nível tão elevado como o do Cruzeiro com a arrecadação dos sócios, a mensalidade que eles pagam mais o complemento que dão nas bilheterias. Já fizeram pesquisas e todos sabem disso que o Cruzeiro é o clube que mais arrecadou com bilheteria esse ano. O clube que mais colocou torcedor em campo. O clube que mais vendeu sócio este ano. Nós já fomos chamados, inclusive, para sermos homenageados na Ambev como o clube que mais conseguiu sócio-torcedor no Brasil inteiro. A torcida do Cruzeiro não é só a que mais cresceu neste projeto do sócio, como também a que mais usa o sócio-torcedor e a que mais compra os produtos das empresas que estão trabalhando com o ‘Movimento Por um Futebol Melhor’. Isso nos proporciona hoje, esse dinheiro do sócio do futebol mais a bilheteria, uma arrecadação durante o ano superior à cota que o Cruzeiro recebe da televisão. Então está aí a importância do torcedor ser sócio. É isso que permite montar bons times, manter a equipe para o ano que vem e, se necessário, reforçarmos ainda mais.
O que falta para sair o acordo com a Minas Arena pelas cadeiras corporativas do Mineirão?
| Gilvan não descarta mudança de fornecedor |
Tivemos uma conversa recentemente com a Minas Arena e já ficará acertado o problema daquelas cadeiras onde até parece que o estádio está vazio. Ali vai virar uma nova categoria de sócio. Está tudo encaminhado para isso e é dentro de muito pouco tempo que vamos criar essa categoria, e serão aproximadamente mais 5 mil sócios. Para a Libertadores do ano que vem, isso já é certo.
O que a diretoria tem a dizer para o torcedor sobre os problemas de distribuição de camisas da Olympikus?
Infelizmente, tem acontecido isso. Houve um desajuste com a nossa fornecedora de material, porque eles acompanharam essas grandes empresas e resolveram produzir os seus produtos no exterior e desativaram as fábricas no Brasil. Como houve o aumento do dólar e dos custos eles estão querendo voltar a fabricar aqui, mas sem a mesma intensidade e, por isso, não estão conseguindo entregar as camisas. E está havendo também para nós muita reclamação. É incrível! O torcedor nesta fase do Cruzeiro querendo comprar o material e não encontra. Realmente é coisa de deixar a gente triste, mas estamos conversando com eles e estão empenhando em solucionar este problema para a gente.
Se a Olympikus não resolver o problema, pode haver troca de fornecedor para 2014?
Evidentemente. Não pode ficar assim. Se eles não puderem atender a gente, nós temos que ter outro fabricante de camisa.
E outro patrocinador? Também pode aparecer em 2014?
O banco BMG já conversou conosco e já conversou até com outro patrocinador e nos pediu autorização para isso. E se nós acertarmos com este outro patrocinador, eles estão dispostos a nos ajudar nisso, a sair e deixar um outro. Nós já tivemos conversas anteriores com a Caixa, mas não acertamos os valores e porque achamos que hoje estamos em condições de pedir mais do que na época que queriam vir. O Cruzeiro vale muito mais do que valia há seis meses. E assim será com o fabricante de camisa. Nós temos que acertar com um outro fabricante se a Olympikus não der conta de entregar este material, porque isso gera também um prejuízo para o Cruzeiro.
As despesas dos jogos no Mineirão têm sido pagas pelo Cruzeiro?
Não estão sendo pagas porque nós ganhamos esse direito quando a Minas Arena concedeu isso a um outro clube. Mas, já combinei com eles: se nós fizermos esse acerto com as cadeiras, vamos voltar a dividir as despesas. Então eu tenho a impressão que isso vai ser aceito por eles.
O contrato de Marcelo Oliveira será renovado?
Eu penso que isso nem deve ser matéria de conversa, porque o Marcelo foi uma briga pessoal minha para vir treinar o Cruzeiro, e ele sabe disso. Houve uma revolta muito grande. Fui xingado por parte da torcida e até da crônica. Eu fui atrás dele e disse: Marcelo, eu presidente do Cruzeiro, vou te sustentar, doa em quem doer. Eu acho que você é o treinador que eu preciso. E se você tiver coragem de ficar e aguentar alguma pressão que possa vir, eu vou estar ao seu lado e você será o técnico do Cruzeiro. E ele me disse em dezembro que aguentaria sim e seria o treinador do Cruzeiro. Foi bancado, ficou, deu certo e não se mexe em time que está ganhando. E eu tenho certeza que ele também está feliz no Cruzeiro. Ele está encantado com o clube, com as condições de trabalho e isso não será nem matéria de discussão.
Como está aquela dívida cobrada pelo Inter, sobre a compra do Dagoberto?
Já foi resolvida, de presidente para presidente, e nós pedimos que os nossos advogados se encontrassem e firmassem um documento solucionando toda a questão. Já está tudo resolvido.
Como foi o reencontro com o Alex, em Curitiba, no jogo contra o Coritiba?
Foram duas vezes que nós nos encontramos no jogo. Foi antes da partida quando íamos para o camarote e ele estava aquecendo. Ele me viu, me cumprimentou e tenho amizade com ele de muito tempo. Eu era o Superintendente Jurídico quando ele jogou no Cruzeiro.
| Gilvan tem bom relacionamento com Alex |
E se o Alex não quisesse mais ficar no Coritiba?
Será recebido de braços abertos. Será muito bem-vindo no Cruzeiro, porque ainda está jogando muito futebol. Ainda mais para um craque do nível do Alex, em todos os sentidos. Um dos maiores craques que eu vi jogar. E acho, inclusive, um dos maiores injustiçados, assim como o nosso Dirceu Lopes, porque merecia ser campeão do mundo pelo futebol que jogava. Poucos meias eu já vi jogar com aquela lucidez do Alex. Joga com muita inteligência e ainda é útil para qualquer time. Mas, ele tem contrato com o Coritiba até o ano que vem e eu não teria coragem de falar nada agora por questão ética com o presidente do Coritiba, e com ele também, que é um sujeito muito ético. Eu respeito o clube e as pessoas. O presidente do Coritiba é um desses bons dirigentes estão surgindo no futebol brasileiro e eu o considero muito.
Fonte: SuperEsportes








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