O Cruzeiro subiu até os 3200 metros de Huancayo para estrear na Libertadores e caiu para o Real Garcilaso. De virada, o time peruano venceu por 2 a 1. Bruno Rodrigo abriu o placar para os mineiros, no primeiro tempo; enquanto, Britez e Rodriguez viraram, com pouco mais de quinze minutos de segundo tempo. Altitude, campo ruim, e as bolas paradas marcaram o primeiro jogo do grupo 5, que ficou manchado por uma triste cena de racismo com o volante Tinga. Quando o volante celeste pegava, torcedores do time peruano imitavam macaco nas arquibancadas.
O jogo teve dois tempos distintos. No primeiro, os visitantes mostraram segurança, tocaram bem a bola, marcaram o gol, e tiveram ainda a outra melhor chance. Na etapa final, no entanto, os donos da casa foram pra cima e viraram o jogo em 16 minutos. Todos os três gols saíram em jogadas de bola parada. Após a virada, o Cruzeiro tentou buscar o empate. Mas parou na fechada defesa adversária e também na noite muito pouco inspirada.
O outro jogo do grupo será nesta quinta-feira. Universidad de Chile e Defensor-URU medem força no estádio Nacional de Chile, em Santiago, às 20h (de Brasília). Na próxima rodada, o Real Garcilaso vai até o Uruguai enfrentar o Defensor. O jogo será na próxima quarta-feira, às 20h30m, no estádio Centenário, em Montevideo. Já o Cruzeiro só joga na outra semana. Receberá a Universidad de Chile, na terça-feira, dia 25, às 17h30m, no Mineirão, em belo Horizonte.
Cruzeiro domina e vira na frente
Altitude, campo grande (110x70) e grama molhada. Essa combinação fez o Cruzeiro claramente evitar correria no começo de jogo. Fez bem. Ainda assim, logo aos três minutos, o time mineiro teve uma chance de gol. Egídio cruzou da esquerda, e Ricardo Goulart quase marca de cabeça. O Real Garcilaso apostava nas ligações diretas, mas encontrava a zaga brasileira bem posicionada. O baixinho Ramua, meia mais habilidoso do time, dava trabalho sempre que acionado.
O Cruzeiro conseguia chegar em cruzamentos pelo alto. Por duas vezes, Ceará alçou bolas que levaram perigo. Depois, o Cruzeiro ensaiou o gol na jogada de escanteio pela direita. Na primeira, o Garcilaso conseguiu encaixar contra-ataque e só parou dentro da área celeste. No segundo, aos 19 minutos, a forte bola aérea do Cruzeiro fez mais uma vítima. Dagoberto cobrou da direita, Bruno Rodrigo saiu de trás da barreira de cruzeirenses e apareceu livre no meio da área para cabecear com precisão, no ângulo. Cruzeiro abre o placar.
A Raposa mostrava maturidade. Tocava a bola, não se expunha, mas também não pressionava o adversário. Atrás do placar, os donos da casa até tentavam buscar o gol, mas mostravam falta de qualidade. O meia Ramua era o único mais atrevido. Tentou duas vezes de fora da área, mas não levou muito perigo. O terceiro chute do camisa 10 peruano, esse já de dentro da área, exigiu de Fábio uma boa defesa. O troco veio no finalzinho, com um chute na trave de Dagoberto. Sem um grande susto, e também sem muito esforço, o Cruzeiro levou a vantagem para o vestiário.
Virada
O segundo tempo começou e, com menos de um minuto, o Real Garcilaso quase empatou o jogo. A zaga do Cruzeiro falhou, Ferreira saiu na cara do gol, tocou na saída de Fábio, mas Dedé salvou, tirando um metro antes da linha de gol. O Garcilaso estava em cima, e chegou ao gol. O troco foi na mesma moeda. Aos seis minutos, após escanteio da esquerda, a bola foi desviada no primeiro poste e sobrou livre para o zagueiro Britez, que havia entrado no primeiro tempo de jogo, empurrar para o gol.
O Cruzeiro tentou sair mais para o jogo, mas sentiu o gol. Aos 16 minutos, a bola parada do Garcilaso fez efeito novamente. Ramua cobrou falta da esquerda, o goleiro Fábio saiu em falso, Huerta tocou para o meio da área e a bola sobrou limpa para Rodriguez empurrar para o gol.
Marcelo Oliveira fez mudanças. Colocou Tinga, Willian e Henrique em campo, e o Cruzeiro foi em busca do empate, mas não chegou realmente perto. O Garcilaso se recuou todo e marcava bem. Já o Cruzeiro vivia uma noite pouco inspirada, ameaçou em um chute de fora da área, dado por Lucas Silva, mas não conseguiu criar oportunidades claras.
O final de jogo teve ainda a mancha do racismo. Tinga, que entrou no segundo tempo, ouvia ruídos que remetiam a macacos toda vez que pegava na bola. Em campo, ninguém deu sinal de se incomodar com o absurdo.
Fonte: GloboEsporte








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