terça-feira, 25 de novembro de 2014

Quero a Copa do Brasil, mas prefiro o Brasileirão

Fico imaginando qual a motivação de um time que acabou de conquistar o maior título disputado no Brasil para entrar em campo 72 horas depois e novamente disputar uma taça que já ganhou quatro vezes. É lógico que, como profissionais, seus jogadores estão com vontade ganhar tudo e tentar repetir o feito inédito de 2003. Mas a situação é outra e o desgaste também.

O que vi no Mineirão domingo foi maravilhoso, bem como a repercussão em todos os jornais do Brasil, e também de fora dele, pela conquista do nosso bicampeonato. Com certeza, quem levantar a Copa do Brasil nesta quarta não terá a mesma visibilidade. Não estou escrevendo desta forma como desculpa para possível perda do título. Basta ver quem já ganhou o Brasileiro e quem já venceu a Copa do Brasil. Não desmerecendo as equipes, mas Criciúma, Juventude, Santo André e Paulista já foram campeões. Apenas como lembrança, os torcedores do Bairro de Lourdes até 2003 nem levavam em conta nossos títulos da Copa do Brasil, simplesmente falavam que nunca tínhamos sido campeões do Brasil. Por que agora essa taça mudou tanto de valor?

Nesta quarta, no Mineirão, teremos um clássico estadual valendo título nacional. De um lado, teremos uma equipe tentando salvar o ano do fiasco e do outro, a nossa máquina de títulos lutando para conquistar o Olimpo. Temos uma desvantagem numérica no placar, estamos muito mais desgastados e, com isso, as chances diminuem um pouco. Mas, em compensação, tiramos o peso de ficar resguardando os jogadores para a conquista do Brasileirão. Serão os últimos 90 minutos que valem este ano.

Gostaria muito de dizer aos meus amigos que torcem para o outro lado da Lagoa que já estou satisfeito com o Brasileirão, pela quantidade de chuva que tomei e as horas de foguetes que escutei domingo à noite, mas quero mais. O silêncio de vocês nos últimos dias demonstra o respeito e o medo que estão desse jogo. Por isso, pouparam os jogadores na última partida, contra o Internacional. Estamos parecendo o Rockie Balboa em suas lutas intermináveis, nas quais apanhava o tempo todo, mas no fim ganhava. Estamos muito cansados, sem alguns jogadores importantes, mas vivos e prontos para esse jogo.

Mas também não quero ficar só pensando no que pode acontecer nesta quarta. Ainda temos de comemorar um bocado esse título maravilhoso. Parabéns a todo o time, à equipe técnica, à diretoria e também ao nosso presidente, Gilvan de Pinho Tavares, pessoa discreta que, como bom mineiro trabalha em silêncio e soube montar uma equipe maravilhosa e vitoriosa.

Falei, falei, falei e quase esqueci o jogo. Se eles ganharem, deixem comemorar, afinal de contas, ganham tão poucos títulos... Se ganharmos, estou com medo de não ter forças para gritar "campeão", pois ainda estou sem voz por causa de domingo.

Teremos mais uma vez o nosso estádio lotado e com a torcida sedenta para fechar o ano com chave de ouro. Que a torcida cante e comemore esta temporada maravilhosa por que passamos e mostre que 2013 e 2014 foram apenas o início de uma longa história de grandes títulos!

Fonte: SuperEsportes

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